| "A regulamentação da terceirização é legítima e precisa ser feita" - Sandro Mabel |
O PL 4330/2004 está previsto para ser votado nesta quarta-feira (14), na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, em caráter terminativo. Se não houver recurso para que vá ao plenário da Câmara, segue direto ao exame do Senado.
O projeto estabelece, em resumo: 1) a terceirização é permitida em qualquer atividade das empresas, seja atividade-meio ou atividade-fim; 2) a responsabilidade da empresa contratante é em regra subsidiária (em que é acionada somente quando a contratada não cumpre as obrigações trabalhistas) e pode ser também solidária (em que é acionada diretamente pelo trabalhador terceirizado quando não fiscaliza o cumprimento das obrigações trabalhistas da contratada); 3) a empresa contratada - ou seja, que fornece o serviço terceirizado - dá uma garantia à contratante, calculada sobre um percentual do valor do contrato, para ser utilizada no caso de não cumprir as cláusulas de trabalho dos seus funcionários. Confira a entrevista:
Portal da Indústria: Existe possibilidade de aprovação do projeto de lei 4330/2004 nesta quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados?
Mabel: Quem tem trabalhado contra o PL 4330 é a Central Única dos Trabalhadores, de forma irresponsável. A CUT não está olhando os 20 milhões de trabalhadores terceirizados, que estão desprotegidos pela falta de regulamentação da terceirização, mas apenas para sua arrecadação financeira. É justamente a receita da CUT que tem impedido, há 15 anos, que projetos semelhantes andem no Congresso. Ela é responsável por existirem 20 milhões de trabalhadores terceirizados sem a devida proteção legal. Acredito que, com a visão dos deputados da CCJ e dos próprios trabalhadores terceirizados, vamos aprovar esse projeto. O PL 4330 é bom para o Brasil.
Portal da Indústria: Um dos argumentos da CUT é de que o PL 4330/2004 precariza o trabalho terceirizado. Tem fundamento?
Mabel: Não se trata de precarização. Muito pelo contrário: o projeto estabelece vários tipos de proteção do trabalhador, aumenta os seus direitos. A questão é dinheiro. A CUT tem medo de perder arrecadação com o trabalho terceirizado regulamentado. O trabalhador terceirizado não está na base da CUT e, por isso, ela pouco está ligando para ele. É uma entidade que olha para o caixa dela e não para a proteção do trabalhador terceirizado.
Portal da Indústria: Por que é preciso regulamentar a terceirização?
Mabel: O Brasil precisa se modernizar e, por isso, a regulamentação da terceirização, absolutamente necessária na organização da produção praticada hoje, é legítima e precisa ser feita. Nenhuma empresa opera, hoje, sem terceirizar.
Por Luiz Roberto Marinho
Foto: José Paulo Lacerda
FONTE: CNI - Portal da Indústria
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