| Gilberto Carvalho propõe "teimosia do diálogo" |
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, propôs, na abertura do seminário, "a teimosia do diálogo" na votação do Projeto de Lei 4330/2004, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, que regulamenta a terceirização e divide empresariado, governo, centrais sindicais e TST. "Poderíamos ir para a votação e quem ganhar, ganhou, mas não resolveríamos o problema", assinalou. Já houve mais de uma dezena de reuniões quadripartites – com entidades empresariais, centrais sindicais, governo e deputados – em busca de consensos sobre o projeto e haverá outras até a votação, remarcada para 4 de setembro próximo.
Para o presidente da Comissão de Relações de Trabalho da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Adauto Duarte, que participou do painel sobre as tendências da legislação trabalhista brasileira, se tivesse havido diálogo social, o Ministério do Trabalho não teria baixado as regras do ponto eletrônico, contra as quais se insurgiram entidades empresariais e sindicatos dos trabalhadores e cuja execução tem se mostrado impraticável.
CONSULTAR - "Não fomos chamados para discutir as normas do ponto eletrônico. Criar legislações sem que os atores sociais envolvidos sejam consultados gera insegurança jurídica", assinalara antes, no painel sobre relações de trabalho no mundo, o empresário Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações de Trabalho e Desenvolvimento Social da CNI. "A época dos confrontos acabou. Estamos na era da busca do consenso. Queremos o diálogo social baseado na confiança", destacou Furlan. Para Duarte, as reuniões quadripartites sobre o PL 4330/2004 representam "um novo tempo". Segundo ele, significam "a negociação no sentido mais amplo, através do diálogo social.”
O advogado e assessor da CUT José Loguercio ressaltou que, embora os resultados não sejam previsíveis, é preciso valorizar "o espaço de interlocução" nas relações de trabalho. "As discussões sobre a regulamentação da terceirização são desgastantes e difíceis, mas o instrumento do diálogo aproxima diferenças e pode encontrar soluções", declarou.
Na opinião do ministro do TST Augusto Leite Carvalho, que participou do painel sobre relações de trabalho no mundo, as reuniões quadripartites sobre o PL 4330/2004 "abrem a possibilidade concreta do diálogo social chegar ao bom senso". De acordo com Carvalho, "se terceirização não for sinônimo de precarização, pode ser praticada", comentou.
Por Luiz Roberto Marinho
FONTE: CNI - Portal da Inústria
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