| Especialistas debatem os desafios da modernização das relações do trabalho no Brasil. |
Para melhor compreender os desafios da modernização das relações do trabalho no Brasil, a CNI promoveu um debate entre especialistas renomados de França, Itália, México e Estados Unidos. O painel internacional analisou as reformas promovidas pelos países em suas legislações trabalhistas e como essas mudanças têm contribuído para atrair investimentos, gerar empregos e elevar a formalização no mercado de trabalho.
| Michel Martone |
Nos casos dos países europeus, a modernização nas relações do trabalho foram implementadas dentro de uma agenda de reformas para reverter a recessão econômica. Ex-vice-ministro do Trabalho da Itália (2011-2013), Michel Martone relatou como a rigidez das leis trabalhistas do país acabaram por agravar esse quadro ao impedir que empresas em crise negociassem alternativas com os empregados que evitassem demissões, ou até mesmo, a insolvência. “O direito do trabalho começou a ameaçar a própria existência das empresas”, disse.
ENTRAVES – De forma geral, os países com leis trabalhistas rígidas impõem barreiras intransponíveis para as empresas reestruturarem seus quadros de pessoal e, quando possível, essa é uma opção onerosa demais. A complexa burocracia na contratação, a impossibilidade de se alterar contratos de trabalho e os elevados custos de demissões desestimulam o crescimento do emprego formal e levam empresas a se instalarem em países com leis trabalhistas mais flexíveis.
| Olivier Angotti |
| Oscar de La Vega |
Segundo de La Vega, a geração de emprego formal era motivo de elevado risco jurídico, especialmente para os pequenos e médios empresários. Como uma demissão poderia ser facilmente contestada judicialmente e a lei não impunha limites para valores indenizatórios, uma sentença judicial desfavorável poderia levar uma empresa à falência. “Nossa lei era obsoleta, marcada pela inflexibilidade. Desencorajava o crescimento e a produtividade e gerava enorme insegurança jurídica”, afirmou.
| Johan Lubbe |
Ele aconselhou o Brasil a tomar o caminho da livre negociação entre as empresas e os seus empregados e a importância de os acordos coletivos serem respeitados pelo Judiciário. “O legislador não deve determinar o que vai acontecer em cada fábrica, em todo o território de um país. Quem conhece a realidade são as empresas e seus trabalhadores. Se essas partes chegam a um acordo, que seja razoável do ponto de vista legal, ele deve ser respeitado pelos poderes públicos”, concluiu.
POR Guilherme Queiroz
FOTOS: José Paulo Lacerda
FONTE: CNI - Portal da Indústria
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